O Ministério Público do Maranhão enfrenta uma crise institucional aguda após o pedido de exoneração coletiva de dez promotores que integravam o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). A decisão, liderada pelo coordenador Luiz Muniz Rocha Filho, foi motivada pela insatisfação com o posicionamento da cúpula da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ).
O estopim para a debandada ocorreu após o órgão emitir pareceres favoráveis à liberdade de investigados na Operação Tântalo II, que apura um suposto esquema de corrupção e desvio de verbas públicas.
A operação teve como foco a administração municipal de Turilândia. Segundo as investigações conduzidas pelo Gaeco, o esquema envolveria o desvio de aproximadamente R$ 56 milhões por meio de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro, contando com a participação de membros da família do gestor, vereadores e ex-servidores da prefeitura.
O grupo especial sustentava que a manutenção das prisões era fundamental para garantir a integridade das provas e a continuidade das diligências iniciadas no final de 2025.
Em contrapartida, a Procuradoria-Geral de Justiça defendeu que, após o encerramento de etapas cruciais de depoimentos e colheita de dados no início de janeiro, a prisão preventiva já não se mostrava imprescindível para o processo. O parecer da PGJ sugeriu a substituição do cárcere por medidas cautelares menos severas, como o uso de monitoramento eletrônico e o afastamento dos investigados de suas funções públicas. A divergência técnica sobre a necessidade da prisão gerou o rompimento público entre os promotores de campo e a gestão administrativa do Ministério Público.


