Relatórios de Comissão Processante detalham esquema milionário em Turilândia

A edição do Diário Oficial de Turilândia do dia 16 deste mês revela detalhes alarmantes a respeito de um esquema de corrupção que pode ter desviado milhões de reais dos cofres públicos. Relatórios conclusivos da Comissão Processante instituída no município mostram como as empresas Climatech Refrigeração e Serviços Ltda. e Potencial Empreendimentos e Cia Ltda. operavam como braços de uma organização criminosa.

Notas “frias” e luxo em Barreirinhas

O relatório referente à Climatech aponta que a empresa, embora registrada em nome do cunhado do operador financeiro Wandson Barros, era uma “empresa de fachada” sem estrutura para os serviços contratados. Entre 2024 e 2025, a empresa firmou contratos que somam R$ 791.183,32.

A investigação, subsidiada pelo GAECO, revelou um esquema de “venda de notas”: a empresa emitia notas fiscais por serviços nunca prestados, retendo de 10% a 18% do valor e devolvendo o restante para a organização criminosa. Um dos fatos mais contundentes é a descoberta de que contas da Climatech foram usadas para pagar boletos de um imóvel de luxo no condomínio “Doha Eco Residence”, em Barreirinhas, pertencente à esposa do então prefeito Paulo Curió.

R$ 6,6 milhões e direcionamento de licitações

O caso da Potencial Empreendimentos revela cifras ainda maiores. O relatório documentou uma movimentação de R$ 6.648.908,52 em contratos com diversas secretarias, incluindo Saúde e Educação (FUNDEB).

As provas materiais indicam que o ex-prefeito Paulo Curió mantinha contato direto com a pregoeira do município, referenciada como “Cleo Pregoeira”, para direcionar licitações e garantir a fraude em todas as contratações. Assim como a Climatech, a Potencial é classificada como peça central no desvio de recursos, operando sob o mesmo modus operandi de retorno de valores aos articuladores políticos.

Implicações e Intervenção

Diante da gravidade das infrações — que incluem fraude em licitação e lavagem de capitais — a Comissão Processante propôs punições rigorosas para ambas as empresas:

Declaração de Inidoneidade: Proibição de contratar com o Poder Público por 5 anos.
Devolução de Recursos: Pedido judicial para o ressarcimento total dos valores pagos (mais de R$ 7,4 milhões somados).
Multas e Bloqueios: Aplicação de multas administrativas e inscrição no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS).

Atualmente, o município de Turilândia encontra-se sob a gestão de um interventor, Thiago Josino Carrilho de Arruda Macedo, enquanto os cargos de prefeito e vice-prefeita constam como em vacância no Diário Oficial. Os relatórios foram assinados pelos membros da comissão Reginaldo Cruz Rodrigues, José Reinaldo Costa Pereira e Júlio Pinheiro dos Santos em 27 de fevereiro de 2026, culminando na publicação oficial desta semana.

Outro lado

A coluna tentou contato das empresas para obter um posicionamento a respeito do relatório publicado no Diário Oficial do Município, contudo, não conseguiu.

O espaço segue aberto para a manifestação de ambas as empresas.

Coluna do Ronaldo Rocha

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